terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Obama for a change


Tenho acompanhado com muito interesse as primárias presidenciais nos Estados Unidos e a histórica corrida entre Barrack Obama e Hillary Clinton para representar os Democratas. Dois improváveis candidatos, uma mulher e um mestiço num país extremamente conservador e segregacionista, embora desde a derrota de Al Gore já se soubesse que a Sra. Clinton seria candidata agora.
Ambos estão a ajudar a escrever uma bonita página na grandiosa história daquele país onde também não faltam sujeiras. A simples candidatura destes dois trouxe nova vida à política e imagem norte-americana. Porém, o discurso de Obama e a sua mais do que surpreende cavalgada à frente de Clinton representam um balão de oxigénio de esperança para um povo ultimamente bastante castigado por uma política falhada de um presidente retrógrado, que quase sozinho transformou os EUA no país mais odiado de todos, uma espécie de império do mal comandado por um aprendiz de Darth Vader.
E pensar que era ponto assente que Obama não teria quaisquer chances nesta corrida contra “um sistema perverso” desenhado para perpetuar no poder as mesmas gentes com as mesmas políticas bélicas e expansionistas tornadas célebres por Ronald Reagan. Aliás, o antigo presidente tem sido muito citado durante essas campanhas tanto por Republicanos quanto Democratas, o que denota um certo saudosismo dos americanos daquele EUA omnipotente e implacável.
O discurso de Obama tem sido um de universalidade ao qual pretos e brancos, amarelos e vermelhos podem relacionar. Mais escola, mais educação, mais saúde e paz! Afinal o que todos querem é ser feliz. Não tenho dúvidas que é aí onde reside o segredo do sucesso desse grande homem que um dia teve a audácia de trazer esperança aos americanos, leiam o livro dele, “The Audacity of Hope”, brilhante. Quem sabe estes não aprenderam de que um EUA forte e dominante implica uma política mais justa e sem menosprezo ao resto do mundo.
Entretanto, a resposta dos norte-americanos à campanha de Barrack Obama faz concluir que os sobrinhos do Tio Sam estarão ansiosos por mudança e que o país poderá estar, finalmente, preparado para honrar os preceitos da sua secular constituição e se transformar de facto na maior democracia do mundo, isso se, de facto, Obama vencer.
“I have a dream”, disse Martin Luther King. Obama está a viver o sonho quando muitos pensavam que era impossível ter um presidente negro nos EUA. A essa hora nem eu duvido mais. Mas, mesmo que venha a perder, este já conseguiu dar uma imagem positiva desse grande país que são os EUA. O mundo precisa de um EUA forte, mas de paz, com um governo humilde e generoso. Viva Obama!

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