sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

De Oi na Mêlon


António Correia e Silva é Doutor com Distinção pela Universidade Nova de Lisboa. O grande pesquisador e intelectual que, por acaso é meu tio (força tio Tó) conseguiu o seu doutoramento em História com louvor, 100% limpinho, ou seja, 20 valores em 20. E o homem ainda foi fazer uma apresentação em frente ao jurado que demorou cerca de três horas doente! Saiu do hospital onde estava internado com uma intoxicação alimentar para a apresentação e voltou logo depois ao hospital. Felizmente, teve alta ontem e já, já está de volta a casa. A família te espera para fazer a festa. És genial e nenhum jornalista ou jornal pode tirar esse teu brilho. Imagina que um jornal online da praça conseguiu escrever um artigo em que metade dele falava sobre as “insuficiências” que a tese de doutorado do reitor da Uni-CV continha?! Caramba!
A Cidade Velha sempre vai ter o prazer e a honra de receber a famosa réplica do navio “Amistad”. Uma comitiva de cientistas norte-americanos vão a bordo da embarcação que procura reeditar a célebre viajem dos 35 escravos em 1839 conseguiram render a tripulação e mais tarde a sua liberdade perante a justiça norte-americana, ainda escravocrata. Depois de um primeiro roteiro que incluía apenas uma escala técnica pela Cidade Velha, os americanos reconsideraram e vão também parar uns dias por cá para efectuar investigações e estudos sobre a localidade e a sua importância no comércio transatlântico de escravos. Certamente um enorme empurrão para a candidatura da actual cidade de Ribeira Grande a património mundial. O navio deverá chegar à ilha de Santiago entre os dias 25 e 26 de Fevereiro. Certamente estarei lá para ajudar a dar as boas vindas aos cientistas. (Fonte: visãoonline)
A Direcção Geral da Comunicação Social anunciou que 5 de Abril é o prazo para que as quatro empresas vencedoras do concurso público para atribuição de licenças a estações de televisão em sinal aberto comecem a operar. Boas notícias para os cabo-verdianos que vão passar a ter mais opções de canais televisivos e muito bom para os canais existentes que vão certamente beneficiar com a motivação da concorrência. As televisões bem precisam de melhorar a qualidade, os espectadores merecem e, sem contar que sempre são mais postos de trabalho e espaço de manobra para os jornalistas. E viva a concorrência! (fonte rtc.cv)
Nisso de televisão, a Copa Africana das Nações de Futebol inicia já nesse domingo com um jogão de bola entre o Gana e a Guiné Conakry. E a TCV vai transmitir o torneio, espero. Não é assim?
Por falar na concorrência, há que dar os parabéns à T+ nova operadora móvel que já está a sacudir o mercado com óptimas promoções e obrigando a CVMóvel a lutar para impedir a debandada em massa dos seus clientes. Será que é desta que a Telecom vai começar a praticar preços mais acessíveis aos bolsos dos nacionais? Pelo menos já há esperança e se não acontecer T+ com eles!
Março é o mês previsto para o arranque da nova operadora de Internet wireless dos meus amigos Neves e Martinho que prometem também fazer barulho com Internet ilimitado e a preços mais cómodos. Esperemos que essa promessa se cumpra e que eu possa finalmente suportar uma conta Internet. A licença da ANAC já saiu agora é arregaçar as mangas rapazes que os crioulos agradecem.
Enquanto não vem a nova operadora wireless eu e todos os praienses com um portátil vão podendo desfrutar da excelente iniciativa conjunta da Câmara municipal e do NOSI, o “Platô Digital”. É bonito ver crianças e adultos com os seus laptops a desfrutarem da Internet gratuita na Praça Alexandre Albuquerque que a pouco e pouco vai retomando o brilho de outrora em que era um ponto de encontro dos praienses.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Polícia


Por falar em segurança, virou moda agora, altos dirigentes e até comandantes da polícia serem vítimas das cada vez mais desaforadas ousadias dos larápios e malfeitores. Não é que nessa segunda feira (14 de Janeiro), a juntar-se a essa lista de ilustres vítimas, um alto dirigente do governo viu o bonito carro do estado colocado à sua disposição ser “atropelado” por um outro veículo, quando a viatura estava estacionada em cima do passeio, imaginem!
E tudo indica, segundo narrativa de pessoas próximas à vítima, que tenha sido um acto premeditado, já que o carro que embateu contra a traseira do lindo carro com a placa do Governo, ainda deu três voltas na Praça junto à residência do membro do governo antes do (in)acidente. Estes ainda voltaram cerca de uma hora depois, duas pessoas, encapuçados para recolher o que poderiam ser os vestígios do crime, sem que a policia do outro lado da praça os incomodasse. O mais grave, é que o tal membro do Governo continua à espera da polícia para responder a sua chamada minutos depois do ocorrido, enquanto esta decide se é o serviço de Piquet ou se a brigada de transito quem deve se ocupar do caso. Se nem os nossos dirigentes estão seguros, ai, ai!
São acontecimentos do tipo que estragam o bom nome da nossa Policia Nacional que até vem fazendo um bom trabalho na maior parte das vezes.

"Buzód"


Numa das minhas viagens diárias de autocarro testemunhei um acontecimento que me fez pensar sobre o estado da nossa sociedade onde o desrespeito ao próximo é cada vez mais gritante. Imaginem vocês que um “buzód” ao meu lado, mais uma vez o autocarro estava super lotado, ao ver uma jovem “badia”, diga-se de passagem, muito “saradona” resolve literalmente tirar as medidas ao material.
O rapaz de aparência “duvidosa”, os olhos e o bafo a álcool denunciavam o estado de “calamidade” daquela figura horrenda, ostensivamente foi para cima, ou melhor para trás da pobre rapariga. Visivelmente transtornada ela não sabia se ria ou se chorava. O pior é que todos, inclusive eu, nada fizeram para impedir ou aliviar o sofrimento da moça que foi obrigada a descer na paragem mais próxima para fugir ao homem que ainda foi atrás dela antes de resolver voltar ao autocarro com cara de “macho”. O que mais me incomodou foi que uma pessoa conseguiu intimidar um autocarro de gente, mais ainda a pobre moça que nem sequer teve coragem de dizer qualquer coisa e, se limitava a puxar para o lado para fugir a tão indesejável assédio.
Será que o clima de insegurança é tanto na capital que todos têm medo da sua própria sombra? Ou será que a situação está mesmo feia? Uma coisa é certa, enquanto todos continuarem a virar a cara à luta, as coisas só vão piorar.

Desenvolvimento Médio


Para reflexão!

Desenvolvimento médio

Pelos vistos o Desenvolvimento médio ainda não chegou a muito “boa” gente nessa terrinha de “morabeza” cada vez mais questionável. Estava no autocarro a caminho de casa depois de mais um dia de trabalho, nesta terça-feira (15 de Janeiro) quando assisti a uma cena que me deixou chocado como todo acto de racismo e desrespeito para com o outro merece sempre a minha indignação.
O autocarro ia cheio como sempre acontece nas horas de ponta, as pessoas se espremendo uma nas outras tal qual sardinhas enlatadas, e digo-lhes que esta metáfora não é nem um pouco exagerada, quando o condutor resolveu parar em frente ao Palácio do Governo para pegar mais gente! “Por favor cheguem mais para trás um pouco que é para caber mais gente”, começou por dizer.
Quando vê que uma das pessoas mais à frente no corredor do veiculo era um chinês cujas bolsas se encontravam no chão, supostamente impedindo a passagem de mais gente que o autocarro não tinha mais condições de receber, começa a gritar: “Oh china, tchiga pa traz, tchiga, tchiga!”. O rosto de humilhação do chinês é algo indescritível e o que se seguiu a isso foi uma onda de indignação com as pessoas a comentarem que aquela não era forma de se falar com outro ser humano. Pena, é que ninguém, incluindo eu, teve a “ombridade” de dizer isso directamente ao tal condutor.
De quem é a culpa daquela situação? Do condutor mal-educado e racista que não sabe lidar com as pessoas e desconhecedor dos direitos alheios, ou da empresa que contrata gente sem preparo? Ou talvez a culpa seja dos praienses que continuam a se sujeitar a condições indignas só para chegarem a casa ou ao trabalho? Ou será da polícia que nunca está nas ruas para impedir que os autocarros andem superlotados e multar, não só as empresas, mas os próprios condutores que entopem aqueles veículos de gente?
De certeza que a responsabilidade maior será dos usuários que se submetem a tal abuso e desrespeito. Que tal começarmos a protestar a sério contra esse estado de coisas? Sim, porque país de Desenvolvimento Médio só faz sentido com população de Desenvolvimento médio.

Hoje Acordei com a Macáca!


Para espantar os males

Praia, 15 de Janeiro de 2008

O ano de 2008 entrou galopante com grandes e importantes conquistas que os nossos governantes “basofos”, e com razão, fazem questão de bradar aos ventos: O país agora é de Desenvolvimento Médio, ou será de Rendimento Médio?! Olha, com tanta confusão entre a imprensa e os próprios políticos eu já nem sei. Mas isso é tema para outra altura. Contudo, significa que esses “dez grãozinhos di terra” uma vez perdidas no meio do Oceano Atlântico agora brilham “k´nem Stréla na Céu” como cantou Nando da Cruz pela voz da Cize. É, “Cabo Berdi sta na moda!”
A juntar-se a isso, é claro, há a parceria especial com a União Europeia e a entrada do país na organização Mundial do Comércio (OMC).
As expectativas são altas, o PIB cresce a olho nu e já há quem diga (Banco Mundial) que a economia “berdiana” tenha atingido em 2007 um crescimento de dez por cento (dois dígitos preconizados pelo Ministro José Maria Neves). Os jornais anunciam números recordes de investimentos externos, sobretudo, para não dizer exclusivamente, no turismo, graças a uma política agressiva conduzida por Victor Fidalgo (presidente da Cabo Verde Investimentos) de promoção de Cabo Verde lá fora.
São mais postos de trabalho que se abrem, milhões de euros que entram para os cofres do Governo em vendas de terreno, impostos para infra-estruturas etc., em suma, o país está a crescer. O momento é de festa, porém, aproximam-se as eleições autárquicas e há muita mosca querendo estragar a sopa do optimismo.
Não, não quero ser mais uma mosca nessa sopa, mas, porém, tenho que dizer que desconfio de algum tempero a mais nessa mistura, apesar do optimismo fazer parte da minha natureza. Vejamos no que se traduz esse crescimento. Os mais postos de trabalho (leia-se criados de hotéis e num futuro próximo, de resorts de luxo) são de qualidade quando muitas vezes se pagam salários de 10 a 15 contos nesses estabelecimentos? Putz! A minha mãe chegou a pagar 12 contos a uma empregada doméstica, sem contar os presentes, a atenção, o carinho e o respeito que em grande parte das vezes não recebem dos patrões estrangeiros. Ela ficou connosco por mais de dez anos.
Para mim, a palavra-chave é desenvolvimento e este quer dizer equilíbrio (o equilíbrio possível, não utópico) na distribuição de riquezas, mais e melhores empregos para o povo como diria Marx. É o espírito do “Pininha” que baixou em mim, mas vamos deixar o defunto em paz que este já fez a sua parte...Huh hum! O Marx, porque o Pininha está bem vivo para “azucrinar” a paciência do JMN e que o diga Pedro Pires e até o Al Gore.
Enfim tenho as minhas dúvidas quanto ao caminho escolhido pelo MpD e seguido pelo PAICV para conseguir o desenvolvimento, tudo bem que muita coisa melhorou como a qualidade de vida de alguma gente, da saúde, da educação. Há mais escolas, universidades, hospitais etc., mais ruas calcetadas (até a minha querida Pretória na ilha do Sal) está a ser calcetada neste momento… É a maravilha das eleições...
Entretanto, com os investimentos que estão a entrar, não deveria sobrar um pouquinho mais de “bufunfa” para o povo? Pelo que vejo e percebo, a coisa tende a ficar cada vez mais feia em ilhas como o Sal em que o turismo além de inflacionar os preços e aumentar as especulações, vai retirando cada vez mais poder o de compra dos salenses. longe vai o tempo das lagostadas e mariscadas… Como vai acontecer com a Boa Vista.
O turismo deveria ter trazido novas oportunidades de emprego, mas principalmente de criação de empresa própria, explorando os serviços ligados aquela indústria. Mas, o que se vê é que os bares e pubs pertencem a italianos, sobretudo, espanhóis e irlandeses. As lojas de souvenirs também e, quando menos, aos continentais africanos (sempre é mais bonito de que mandjáku). Até aluguer de bicicletas para turistas está nas mãos dos italianos.
Com tudo isso, é frequente ouvir dizer que os “kriolos” é que não têm iniciativa etc., você já tentou fazer um empréstimo no banco para algum projecto? Já?! Então sabe do que estou a falar. Já tentou pedir terreno junto a uma área turística para montar um serviço? ZDTI´s (Zona de Dominio de turistas e internacionais, esta é a minha leitura) diz-lhe alguma coisa? E agora, mais do que nunca vamos ter de competir com os europeus…
Ao que parece, estamos a vender não só terrenos (a nossa terra), mas a nossa liberdade e dignidade, porque daqui a uns tempos, mantendo o exemplo do Sal, nem vamos poder circular em nosso próprio país. Pessimismo exagerado? Espero bem que sim, mas não prevejo coisas tão boas para os meus filhos que ainda nem nasceram, quanto mais aos meus netos. Oxalá esteja errado!
Demitir Victor Fidalgo é só um pequeno passo, há que repensar a estratégia e, por favor, negociem melhor as contrapartidas com os investidores estrangeiros e, quem sabe assim o crescimento vire mesmo DESENVOLVIMENTO! Ah! E já ouviram falar em concessão de terrenos?!... Hoje Acordei com a Macáca!