terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

D´oi viv´na melon


Ainda que com algum atraso o Liberal-online veio esclarecer a notícia do foto-repórter do "Jornal de Cabo Verde" que terá recebido voz de prisão de forma arbitrária e abusiva. Devo dizer que se a história realmente aconteceu como foi contada o jornalista então, não só, tem o direito como o dever de processar os agentes, não para lhes castigar, mas como uma forma de pedagogia. Assim sendo, certamente contribuirá para que sejam melhores policiais no futuro. Agora, pelo amor de Deus, não vamos politizar a coisa, certo?

A notícia na íntegra conforme publicado hoje no liberal-online: http://www.liberal-caboverde.com/noticia.asp?idEdicao=64&id=17508&idSeccao=525&Action=noticia

AGENTES ARMADOS ATACAM FOTOJORNALISTA DO "JORNAL DE CABO VERDE"
Já o havíamos noticiado resumidamente. Muitos foram os leitores que reclamaram a ausência de pormenores da notícia. Atendemos ao pedido dos nossos leitores e aqui contamos como tudo se passou através da publicação do texto editado hoje pelo "Jornal de Cabo Verde"

Praia, 26 Fevereiro - Final da tarde na Achada Santo António (18h), dia 20 de Fevereiro. O fotojornalista Oteldino Vieira, do JCV, voltava para o seu local de trabalho apenas para “descarregar” as suas fotos e terminar o seu expediente. Tudo parecia correr na maior normalidade, quando surge uma ronda da Polícia Nacional. Eles param, descem quatro polícias da viatura e saem em busca de um suspeito.

Dentro de minutos, localizam-no, imobilizam-no e ele é levado para dentro do carro do piquete da PN. Nesse meio tempo, tudo é captado pela câmara do fotógrafo que, cumprindo o seu instinto profissional, apenas registou toda a movimentação.

A cena transcorreria na maior normalidade, não fora o facto de um dos polícias ter arrancado a câmara do fotojornalista de suas mãos, sob alegação que ele não poderia fotografar aquele episódio. Facto consumado, o fotógrafo se dirigiu à redacção e informou os seus superiores que a sua câmara havia sido apreendida.

Como a viatura da ronda da Polícia Nacional ainda se encontrava no local, responsáveis do JCV foram questionar sobre o ocorrido, perguntando quem seria o superior na ocasião da apreensão. Nesse momento respondeu um policial de nome Domingos Lopes, dizendo-se o responsável. Qual o motivo do confisco do equipamento? Responde que havia sido ele mesmo o mandante da apreensão. Confrontado com o facto de que não podia obstruir o trabalho da imprensa dessa forma, arbitrariamente, ordenou a imediata detenção do fotógrafo que encontrava-se junto aos seus responsáveis no intuito de recuperar o equipamento apreendido.

Nesse momento, o fotógrafo do JCV, iniciou o seu Caminho de Santiago. Além de não haver nenhuma acusação plausível contra ele, foi obrigado a entrar humilhantemente na viatura diante de uma grande plateia, que já se aglomerava, tendo sido engaiolado juntamente com presumíveis delinquentes que, entretanto, já se encontravam na gaiola da viatura policial. Como qualquer pessoa que, neste caso, supostamente descumpre a lei, deveria ser levado para um destino como a área judiciária.

Infelizmente, tal não aconteceu. O policial Domingos Lopes informou que seria levado para a esquadra do Palmarejo. Mas, em seguida, informou outra pessoa que ele seria levado a esquadra de Eugénio Lima. Confusão feita, começaram os contactos por parte dos responsáveis de JCV na tentativa de tentar localizar o fotógrafo, pois não havia certeza para onde ele haveria sido levado.

NR. Já depois de terem apanhado um raspanete de um dos superiores hierárquicos, sem saberem o que fazer com o fotógrafo, simularam um pedido de desculpa. Liberal sabe que o profissional da Comunicação Social já apresentou queixa contra os agentes infractores.

Andrés Vince

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